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Cá
entre nós
Lúcia de F. Henriques
Confesso que me sinto mais sozinha do que jamais me senti. Confesso
que todos os meus pensamentos sobre liberdade, sobre; seguir o coração;
sobre;não ter medo de ser feliz; toda essa balela sempre caem
por água uma hora ou outra. E se quiser um conselho, pense, calcule,
defenda-se. Se eu tivesse feito assim, não o teria visto partir
com pesar. Como me arrependo de ter deixado a cabeça pra trás,
de ter seguido a vontade do corpo e os ímpetos do espírito
. Meia dúzia de noites junta? Isso foi o mínimo. O problema
e que eu abri minha alma, eu deixei que ele entrasse na minha vida pelos
poros, deixei que me arrancasse o vestido e as defesas. O problema e
que eu não tive medo. E eu até me gabei disso por um tempo.
Senti-me no topo das mulheres pelo meu equilíbrio emocional,
pela minha independência feminina e pela minha coragem. Mas agora
que ele partiu, nada disso me faz companhia, e eu simplesmente me sinto
só.
E confesso que não choro pela ausência dele na sombra do
meu quarto escuro. Pensando bem, confesso que se me desesperasse, se
jogasse os cristais as paredes, gritasse alto o nome dele e rompesse
em soluços, talvez eu me sentisse melhor. O que me incomoda mais
e essa tristeza velada, esse nó na garganta que nunca se desfaz,
a prova mais profunda de que meu espírito esta calejado, de que
não me acabo mais no presente por aquilo que já me feriu
tantas e tantas e tantas vezes. E triste um espírito calejado,
são tristes as coisas a que ele remete.
Confesso que se não o chamo de traidor, se não esbravejo
a deslealdade e a patifaria que ele me cometeu, não é
pela grandeza de meu espírito. Eu o xingaria dos mais variados
nomes se ele tivesse me traído, se tivesse sido desleal ou patife
- e seria um bom consolo. Mas ele foi justo, correto, sincero. Não
me manteve atada a um relacionamento acabado por nem mesmo 5 minutos.
Informou-me gentilmente do fim, com toda a educação e
classe que me era merecida. Confesso que preferia sentir-me revoltada
a indiferente. Mas já não e a primeira vez que não
me restam muitos caminhos a optar.
Por isso continuo afirmando: o seu corpo e realmente seu, faca dele
o que bem entender. Vulgarize sua boca e todo o resto se quiser, você
é realmente livre pra fazer isso. Mas não vulgarize o
seu amor. Não banalize o que pode ser único, pense antes
de chamar qualquer par de calças de seu. Pode não significar
nada uma vez, mas quando não significar nada por 25 vezes, você
vai se sentir vazia.
E confesso que cansei de conversar, agora esta frio e quero ouvir o
Chico. Não se afobe não, que nada e pra já. A voz
do Chico sempre me acalenta os desamores. Vou deitar na cama vazia e
pensar em nada até dormir, por que amanhã sempre da para
pensar em algo melhor do que nada. No tempo, no trabalho, no estresse.
Vai parecer que nada aconteceu. E isso que eu quero que pareça.
Então você não conta pra ninguém, e assim
parecerá.
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Tecnologia
pura
Autor: Sérgiol Luis da Silva Vargas
- Bom dia compadre!
- Bom dia!
- Me conta compadre, como é que foi a chuva por lá?
- Bah, compadre! Foi coisa feia. Muito granizo. Perdi toda minha lavoura
de fumo.
- Que coisa mais triste compadre! Eu por aqui tive um prejuízo
danado, perdi toda minha lavoura de milho e mais a granja dos frangos
que ficou toda furada. Morreram pra mais de mil pintos.
- O estrago foi muito feio, compadre...
- É! Com toda esta tecnologia, nos ainda dependemos da sorte
para mantermos nossas culturas.
- E quem é que pode contra a natureza, compadre? Não viu
lá nos Estados Unidos, país rico, cheio de recursos, o
estrago que deu?
- Contra as forças de Deus não há tecnologia que
dê jeito, compadre!
- E por falar em tecnologia, o amigo sabia que a Chiquinha, filha do
compadre Anselmo, engravidou?
- Não sabia não compadre! Mas como?! Se a guria não
tinha nem namorado?
- Não tinha mesmo!
- Então como é que foi pegar barriga, ora?
- Compadre Anselmo me disse que foi esta tal de internet!
- Ué! Mas pode?
- Acho que sim. Esta internet é poderosa! Noutro dia ouvi no
rádio que lá em São Paulo roubaram até um
banco...
- Pois eu ouvi também!
- E se assaltam um banco, como não haveriam de fazer um filho,
que é coisa muito mais simples?
- É compadre, acho que é possível mesmo!
- Minha esposa, a Maria, queria porque queria que eu comprasse pra nós,
um destes computadores, mas acho que não vou comprá-lo
não, vai que ela também engravida e nasça por lá
um guri com os olhinhos puxados? Como é que eu vou explicar para
os vizinhos?
- É! Vai ser difícil explicar mesmo.
- É melhor nos vivermos na ignorância do que mal falados!
- Ah, isto é mesmo.
- Até mais ver, compadre!
- Até mais ver!
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Especial
para Aniversário de P. Venceslau
AS ÁGUAS DA VIDA
(*)
Por: Paulo
Francis. Jr
Depois de passar pelo centro da cidade, o objetivo era chegar ao Jardim
Ipanema. O sol forte do meio-dia era o que motivava o sacrifício
de Francisco Hidelbrando Caruzo. Seu apelido era “FHC” numa
alusão ao ex-presidente. A temperatura de 32 graus significava
esperança. Quando ainda estava em casa, cedinho, o locutor de
notícias E. Junior dizia a previsão. Dez minutos de atenção
ao noticiário davam a ele, informação e projeção
de ganhos do dia. Atentava não aos altos e baixos da Bolsa de
Valores, mas à temperatura que ditava a sua profissão.
Da Rua Campo Sales entrou à direita. A Rua Rodrigues Alves começa
“maneira”, mas é longa.
A falta de óleo, só observada agora, deixa transparecer
um rugido não tão alto. O contacto entre o eixo de ferro
e a roda do seu carro precisava de urgente manutenção.
Logo que iniciou a subida teve que parar. Desesperada, uma menininha
gritava ao longe. O assobio característico, peculiar à
profissão, atraiu a garota.
Trajando um vestido listrado e um tênis de grife, pediu duas “massinhas”
a Francisco. Márcia o conhecia. Apesar da pouca idade, assim
que se aproximou fez questão de cumprimentá-lo.
Logo depois, de forma inusitada, perguntou, como se o repreendesse:
- O Sr. não veio quarta-feira?
A menina esperava uma justificativa. Vontade infantil não pode
ser adiada.
Com um sorriso cativante, Hidelbrando tratou logo de esclarecer.
- Marcinha, apesar dos meus 66 anos, ainda não consegui me aposentar.
Quarta-feira estive lá na Previdência tentando receber
o benefício. A greve atrasou o processo todo. Na segunda-feira
um médico fará uma avaliação sobre o meu
problema na perna. Tentei me aposentar pela idade, mas não consegui.
Você sabe como são “as coisas” neste país.
Está difícil para mim. Entreguei um “monte”
de documentos lá, mas até agora nada! Ouvi falar que o
ministro está querendo deixar a gente sem receber. Esse é
“sangue ruim”. Não respeita nem os “veinhos”.
Como se fosse “gente grande”, a garota virava o rosto para
um lado e para o outro, como se estivesse indignada. Despediu-se e desceu
a rua segurando o produto, reclamando do frio em suas mãos. Dizia
estar com pressa, pois o irmão a aguardava.
Ao andar mais alguns metros, um automóvel se aproximou. Um Sr.
forte com uma mulher. No banco traseiro, um garoto apontava, sorridente,
na direção de Francisco. Ele observou os olhos da criança.
Brilhavam!
Os passageiros do carro foram atendidos pela janela. Acabaram de comprar
os picolés e estacionaram um pouco adiante.
FHC ou “seo Chico”, como era conhecido também naquela
região, viu, logo depois o motorista reclamando do filho, pois
havia deixado um ou dois pingos caírem no estofamento. Talvez
fosse esse o motivo da parada.
Com o apito característico, a subida continuava.
A Vila Baruta é um local nobre. Seus moradores pacatos formam
uma das elites da sociedade; fato que, por dedução, traz
tanta motivação a profissionais como Hidelbrando. Como
se diz por aí, apesar de “puxar uma perna” devido
a um acidente não se deixava vencer pelo calor. A trajetória
tinha que ser cumprida.
Um chapéu lhe cobria a cabeça. De origem européia,
uma vermelhidão fazia parte dos braços, resultado do escaldante
sol nesse mês de setembro, mais com “cara” de verão
que primavera.
Tendo andado mais dois quarteirões, resolveu dar uma pausa por
um instante.
Bem ao longe, um carro de som, provavelmente de algum político,
dava a impressão de se aproximar. O descanso, a mão envolta
na orelha, tentava decifrar o postulante.
Com a parada, o rugido do eixo de seu veículo não existia,
entretanto, a distância dele ao “carro da política”
era muito, muito grande.
Passados mais alguns metros, entrou à esquerda. As pedras sextavadas
do calçamento fizeram aumentar o ruído, que o impedia
de ouvir o som da propaganda. A roda, de borracha sintética,
era dura e fazia que as vibrações deixassem suas mãos
trêmulas.
Desde jovem, a política sempre lhe chamou atenção.
Por isso, gostaria de saber quem era o candidato. Como ainda não
definiu o seu voto, queria analisar todas as propostas o que lhe fazia
prestar ouvidos a todos. De repente, ao chegar na Rua Boa Vista, resolveu
estacionar o carrinho de picolés. O suor lhe desceu a fronte.
Abriu dois botões de sua camisa. Com as mãos abanava o
rosto. O tronco cortado de uma árvore serviu-lhe como cadeira.
Francisco observou na esquina, onde se localiza a capela do bairro,
uma senhora idosa, passando tranqüilamente coberta por uma sombrinha.
Pensou consigo mesmo: “essa mulher parece uma vizinha lá
da Vila Sumaré”. Perguntou “aos seus botões”
se agora estaria morando por ali. A passos largos, a mulher desapareceu,
virando uma outra rua.
O braço esquerdo de Hidelbrando foi agitado para que o relógio
fosse para uma posição visível e bem próximo
ao olho, pois a sua vista estava meio “embaçada”.
Com certa dificuldade, constatou: l3: l5 horas.
Com a mão direita, retirou um pequeno rádio do bolso –
vulgarmente conhecido como “consola”- mas não houve
tempo para ligá-lo. Ouviu alguns passos. Era uma mulher que caminhava
por trás de um muro não tão alto. Uma jovem que
cumprimentou-o. Em seguida, o ruído de um esguicho de água
foi ouvido por ele.
Com uma vassoura, a limpeza estava começando. A lavagem da calçada
naquela tarde quente, no entender do sorveteiro significava desperdício,
mas... O que poderia fazer?
Assim, logo depois, o líquido surgiu forte por um orifício.
O volume era razoável.
Entre a sujeira das folhas secas, trazia um velho bico de mamadeira.
Desgastado pelo uso e com o látex rachado, não servia
para mais nada. De forma aleatória, a enxurrada que ali se formou
empurrou-o para a sarjeta, chamando a atenção de Francisco.
Por um outro buraco, panfletos políticos surgiam sobre a água.
A foto do “santinho” mostrava a cara do pecador. Um candidato
que pecava já pelo motivo de ser de outra cidade. Um pára-quedista!
Olhou o que estava acontecendo e a meditação começou.
Na calçada, o líquido descia veloz.
Foram levadas as formigas que estavam em sua direção.
Outras, extremamente inquietas, foram separadas e não sabiam
como chegar ao chamado “ninho”. Ficaram isoladas.
A sujeira deixava a água turva, esbranquiçada. Uma pequena
formação de bolhas era o sinal que estava mesclada com
algum produto químico, talvez sabão em pó. Pequenos
insetos, também levados, mexiam-se, sem firmeza. Outros estavam
imóveis e cansados, entregues ao destino. Na visão dos
mais fracos, a pressão era vista como uma correnteza gigante.
E as pedras!?
As menores foram tragadas. Outras, maiores, represavam o líquido.
Isso, entretanto, ocorria por pouco tempo. Como uma cobra, a água
fazia contornos lentamente. Outros obstáculos foram envolvidos
e também transpostos.
Numa pequena depressão entre as emendas da sarjeta, entrou num
buraco e sumiu.
Francisco estava atento e, agora, intrigado. Será que voltará?
Não demorou e surgiu veloz, ganhando força. Lá
diante, quase na esquina, observou que um papel de balas girava em círculo
bem ao lado do bico de mamadeira. Quuanto
mais observava esses detalhes, procurava compreendê-los. Alguns
galhos secos eram utilizados como barco por uns minúsculos animais.
Insetos de várias cores. Chegavam até a brilhar como óleo
diesel em rio poluído.
Outro fato que chamou a curiosidade de Hidelbrando foram as centenas
de flores das árvores locais, conhecidas como Sibipirunas. As
folhas verdes e as flores amarelas, derrubadas pelo vento, como se fossem
sentimentos de cada cidadão, seguiam seus objetivos, distantes
de tudo que as prendiam até então.
Um pouco mais abaixo, bem próximo a um terreno baldio, o couro
prensado e seco, provavelmente de um anuro de pele verrucosa, tomava
rumo com a água. Um sapo que não saltou na hora certa.
Quem sabe um girino despreparado pego pelo trânsito local.
Francisco parou para observar todo esse processo e, naquele dia, resolveu
ir mais além. Deixou o seu carrinho ali e percorreu aquela “pororoca”
miniatura por 20 metros. Na mesma velocidade, acompanhou a descida.
Bem próximo da esquina, reparou que a água carregava o
que estava no cocho do chamado “meio-fio”.Uma moeda do ano
de l973 – sem valor – foi deixada levar. Sua cifra era de
10 centavos. Há pouco mais de 20 anos correspondia a pelo menos
l0 picolés. Hoje não compra nem o palito.“Se me
abaixo para pegá-la é capaz de dar um treco nas minhas
costas e, então, vai sair mais caro o molho do que o peixe”,
pensou.
No cruzamento da Rua Boa Vista com outra, um pouco além, Francisco
encontrou uma correntinha. Pela análise, trata-se de uma gargantilha
bem feminina. Estava escurecida e suja. Imaginou se estaria presa a
alguma cruz em forma de pingente. Procurou pela peça até
com insistência. Onde estaria? Naquele ponto, a umidade se transformara
em lama. Dobrou os joelhos forçando a vista. Em vão.
Ao levantar o rosto, atraído por um enorme zumbido, notou a aproximação
de um caminhão de transportes. Cinco eixos e 16 pneus cortaram
lentamente aquela enxurrada.
Uma cena que lembrou Moisés atravessando o mar. Mesmo assim,
distante dos seus olhos, a água continuou a descer.
As marcas deixadas pelas rodas chegaram bem próximas ao carrinho
de picolés, numa umidade artificial e paralela, sem força
para suportar o calor por mais de 4 minutos.
Conforme retornou ao ponto de origem, as marcas foram se evaporando.
Decorridos alguns instantes, recompôs seus pensamentos.
A sensação de calor naquele instante fazia a impressão
de uma temperatura bem superior. Dava para fritar um ovo no betume do
asfalto. Num ímpeto de nostalgia, ficou perplexo. Poucas vezes
e de forma tão detalhada, parou para observar esse mundo paralelo.
A esse tempo, respirou firme e convicto. Deveria prosseguir enquanto
necessário. Ofegante, quase nos altos do bairro, aproximou-se
de um portão. Um sobrado ao fundo e um jardim bem cuidado demonstravam
que o morador, primeiro tinha bom gosto e, segundo, não descuidava
da grama. Impecável!
Apertou a campainha e um rapaz foi a seu encontro.
Sisudo, alto, e com o rosto sonolento, cumprimentou-o.
- Como vai “seo Chico?”.
Hidelbrando reconheceu Anselmo, bancário de uma agência
local. Eram amigos de longa data. Pediu-lhe um copo d’água.
O rapaz foi prestativo, entretanto, ao retornar do interior da residência,
apenas – e somente apenas – um copo com água trazia
nas mãos. Em outros tempos, o anfitrião deveria trazer
sempre uma garrafa, caso necessitasse mais. Espantado, mas discreto,
nem observou a falha no gesto de Anselmo.
Servindo-se, agradeceu e voltou à labuta.
Seu
corpo estava insatisfeito. Para amenizar a situação, resolveu
chupar um de seus picolés. Seu predileto era o de uva, no entanto,
como já tinha acabado, o jeito foi se deliciar com um de limão.
Para aquele momento, era sem dúvida nenhuma, até o mais
indicado.
Após esses fatos todos, continuou seu trabalho. Agora se encontrava
no jardim Ipanema. As vendas eram razoáveis. Melhorou quando,
no retorno, esteve no loteamento jardim das Paineiras.
Depois de uma ou duas horas, resolveu retornar pelo mesmo caminho.
A rua Boa Vista estava deserta. A maioria das casas estava fechada.
Nenhuma criança.
Apenas os cães latiam quebrando o silêncio. Naquele tronco
de árvore em que esteve um pouco antes, parou apenas para amarrar
o cadarço de um dos sapatos.
No muro, de onde saía a água, nem sinal de umidade. Não
via ninguém no lado de dentro e a casa, apesar da janela aberta,
parecia abandonada. O meio-fio estava sem pedras. Os panfletos estavam
todos secos e retorcidos. Também rasgados pela força da
natureza ou pelos pés apressados de um ou outro cidadão
que, porventura, passou sem perceber aqueles acontecimentos.
Na esquina onde encontrou a correntinha, Francisco teve uma estranha
sensação. Pálido, pensou que iria desmaiar. Num
gesto, do qual até se arrepia ao lembrar, dobrou os joelhos e
quase caiu. Ainda que de forma rápida, seus olhos escureceram.
De toda a água que passou, a única umidade estava num
buraco, que travou uma das rodas do seu carrinho. Um brilho forte seguido
de um clarão inexplicável ofuscava a sua retina. Em segundos
ganhou forças. No movimento para destravar o seu veículo,
algo foi jogado para fora da água pressionado pelas ondas que
se formaram pelo movimento. Era o pingente em forma de cruz que foi
procurado detalhadamente por ele horas antes. Diferentemente da correntinha,
estava limpo e brilhante como se pedisse mudanças em sua vida.
Afinal, estava observando um sacrifício salvador, pensou Hidelbrando.
E Francisco retomou seu caminho meditando sobre quantos já não
teriam passado, sem perceber, tão pertinho do CRISTO.
(*)
O autor é venceslauense e escreve semanalmente para o www.GuiaVenceslau.Net
na coluna Opinião
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Um
pulo na lua
Por: Sérgio Luís da Silva Vargas
Quando Gildinha
viu aquela lua-de-prata decidiu:
- Vou ser astronauta!
- Ora vejam, astronauta mulher!
- Por que? Não existe?
- É claro que não!
- Pois então eu serei a primeira.
- Logo você que tem medo de subir no telhado? Duvido que chegues
à lua!
- Mas até lá eu já cresci e gente grande não
tem medo de nada!
- Ora se não tem! Mamãe tem medo de baratas.
- Ah, barata é barata!
- Pois saiba que eu ainda sou menino e já não tenho medo
de nada.
- Não tem! Não tem! Tu tens medo do escuro.
- Maninha, não é medo! Eu tenho é receio!
- Receio não é medo?
- Claro que não! Receio é receio e medo é medo.
- E o que é receio então?
- Receio é... receio é...
- Vamos diga. Não fiques aí gaguejando!
- Receio é só um medinho à toa!
- É, mas tu choras se te deixam no escuro.
- É que quando se tem receio também se chora!
- Pois eu não tenho receio e nem medo de ir á lua.
- Papai contou-me que a cadela Laika foi e não voltou mais.
- Pois eu vou à lua procurar por ela e a trarei de volta.
- Cadela idiota, tal qual as meninas. Ouvi dizer que era só ela
ter apertado um botão que dizia: - voltar para casa. Te garanto
que se fosse o Sultão ele não se perderia.
- O que?! Este cachorro pulguento? Se fosse ele iria parar no sol. Viraria
cachorro-quente torrado. Um baita de um bocó!
Gildinha jurou ter visto Laika pulando lá na lua.
- Tadinha, tão longe de casa!
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Exame de próstata
(*) Por Sérgio Luís
da Silva Vargas
Os exames
feitos em seu Juvêncio deixaram o médico da pequena
localidade um tanto preocupado:
- Teria que ser feito um exame de toque, mas eu é que não
vou enfiar o dedo no rabo deste guasca, mais grosso que tramela de rancho.
Ele trata tudo à ponta de faca! Vou mandá-lo para Porto
Alegre.
- Acho melhor mesmo. Disse a enfermeira.
- Seu Juvêncio o senhor terá que ir à capital fazer
mais alguns exames.
- O doutor é quem manda! Vou só terminar de colher um
milho que ainda tenho e já me vou.
- Isto, mas vá o mais rápido possível.
- A semana que vem já devo estar indo doutor.
Juvêncio fez o que tinha que fazer vestiu a melhor pilcha, pôs
na mala de garupa pão com salame e se mandou.
Na rodoviária pegou um táxi:
- Vamos pra onde senhor?
- Toca direto para o hospital de clínicas!
- O amigo veio fazer o que na capital?
- Vim fazer o exame de prósta.
- Ah, o exame de próstata!
- Esse mesmo. Vim num pé e já volto noutro.
- O amigo não está receoso com o tal exame?
- E eu lá sou homem de ter medo de alguma coisa mano-velho? Não
tenho medo nem de assombração!
- Não estou falando de ter medo! Eu mesmo tenho
um certo receio de fazê-lo.
- Mas o índio véio é homem ou um pé de chicória?
- Bem! É que é um tanto constrangedor...
- Meu finado pai, que Deus o tenha, dizia-me que constrangedor é
homem beijar homem. O resto...
- Acho que o amigo tem razão. Vou tratar de
marcar o meu exame logo-logo.
- Pois faça isso, não deixes que o mal se alastre!
- Chegamos, senhor!
- Muito obrigado.
Seu Juvêncio ficou aguardando na sala de espera por quase duas
horas. Já estava nervoso.
- Seu Juvêncio pode entrar.
- Já não era sem tempo! Esperei mais que gestação
de mula.
- Dispa-se e deite-se por gentileza.
Contam
lá em São João da Urtiga que tiveram que chamar
os brigadianos para pôr fim naquele entrevero. Era o seu Juvêncio
correndo pelado pelos corredores do hospital, com um facão na
mão, dando pranchaços no lombo do pobre médico:
- Vem cá, doutorzinho de merda! Vou te ensinar a respeitar um
pai de família.
(*) O Autor é de Porto
Alegtre - Rio Grande do Sul
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Minha
sogra é um anjo
Por:
Sérgio Luís da Silva Vargas
Minha
sogra sofria de catalepsia. Não
queiram saber como é traumatizante uma sogra voltar do próprio
enterro. Comigo aconteceu três vezes. Era aquele vai e volta danado.
Tive que fazer um tratamento psicológico.
Na primeira vez, tudo estava indo tão bem, até que no
melhor da festa a velha resolveu levantar-se. Gritaria geral:
- Seus desgraçados pensavam que iam me enterrar viva, mas não
foi desta vez!
- Ah, mamãe que alegria! Minha esposa gritou feliz da vida.
- Ah, minha sogrinha que felicidade! Dizem os amigos que fiz a cara
mais decepcionada do mundo.
Na segunda vez, um dos netos passou pelo caixão e disse:
- A vovó ainda está quente!
- Será? Pensei.
Fui lá, discretamente e diminui a temperatura do ambiente.
- Bah, mas tá frio aqui hem!
- Não acho. Tô até com calor!
Quando parecia que ia ser desta vez, a velha levanta-se novamente do
caixão, dê-lhe a espirrar.
- Mamãe que alegria! Minha esposa de novo.
- Sogrinha querida, que susto!
Na terceira vez, me precavi. Fiquei o tempo todo em volta do caixão
com a mão na testa da velha, segurando-a para que ela não
se levantasse.
Algumas amigas de bingo, da jararaca, chegaram a comentar:
- Nossa, como ele adorava esta sogra!
- É, ele é um amor!
Mas bastou um pequeno descuido meu, fui atender a um telefonema, e lá
ela pulou outra vez do caixão, espalhando flores para tudo que
era lado, com o dedo em riste apontado para mim:
- Pode tirar este sorriso da cara que eu voltei.
- Mamãe que alegria! Minha esposa, a única sincera no
local.
- Sogrinha do meu coração, que felicidade!
Ano
passado ela morreu de novo, só que desta vez eu mesmo tomei as
rédeas de tudo.
- Eu preparo o corpo da minha sogra!
- Obrigado querido!
Enchi a boca da velha de algodão, amarrei os pulsos com esparadrapo,
coloquei bastante cola no fundo do caixão e pus um bilhete no
bolso dela: não aceito devolução. E só por
precaução aumentei o som ambiente da capela, pra ninguém
ouvir algum ruído.
Desta vez ela se foi mesmo.
Fiquei tão feliz com a minha empreitada, que com o dinheiro da
herança, decidi montar uma empresa especializada em enterros
de sogras.
- Vou fazer fortuna, a "QUE O DIABO TE CARREGUE LTDA" é
o maior sucesso!
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“Águas da Redenção”
enviado
por César Antonio Marques,
funcionário público municipal
Estamos no ano de 2010, mês de fevereiro, 39 graus à sombra
e a praia fluvial do Complexo Venceslauville/Eldorado está repleta.
Pessoas vindas de todo o interior do Estado de São Paulo, alguns
Paranaenses, Mato-Grossenses e até Mineiros que deixaram o seu
“Rio Grande”, para conhecer o colossal Rio Paraná,
que agora pertence, ao menos por alguns quilômetros, aos Venceslauenses.
Presidente Venceslau é uma cidade margeada por um lago de proporções
gigantescas, como fora Presidente Epitácio um dia e que lutava
para ser uma estância turística e ter a hegemonia econômica
da região.
Com seus quase 300 mil habitantes, transformara-se numa cidade vibrante,
agitada, multicolorida e multicultural, agora conhecida em todo o Estado
e parte do Brasil.
Gente de todos os confins veio fazer parte de nossa população;
até mesmo estrangeiros, que saiam de seus países em busca
de novas oportunidades que agora oferecíamos, principalmente
na indústria do turismo e do entretenimento que cresceu e cresce
de forma vertiginosa: hotéis, restaurantes, casas noturnas, cassinos,
complexos recreativos e o surgimento da inesperada praia fluvial, com
seus sete quilômetros de extensão, dividindo seu espaço
com parte do agora luxuoso condomínio Venceslauville, o Novo
Jardim Eldorado e parte do Horto Florestal, a que não desapareceu
submersa no colosso das águas. Da penitenciária II, via-se
apenas as pontas das quatro torres de vigilância, tais como quatro
“icebergs” de concreto, com no máximo 2 metros de
altura e que insistiam em demarcar um local que outrora quase fora aproveitado
como colônia de férias para trabalhadores, não fosse
a brutal invasão das águas e a destruição
quase total de suas estruturas. Era uma verdadeira ruína no melhor
estilo greco-romano.
Nossa população agora é formada também por
Epitacianos, Caiuaenses e outros cidadãos que fugiram do maior
desastre natural provocado pelo homem, conhecido no mundo até
agora: o super enchimento do lago artificial da Hidrelétrica
de Primavera, causado por um erro de cálculo dos engenheiros
responsáveis pela gigantesca obra, que foram obrigados, em última
hora, a aumentar a altura das barragens, para que a água não
avançasse e destruísse, prematuramente, a usina recém
concluída.
Pessoas passeavam pela bela praia fluvial, formada agora em território
Venceslauense, comentando a terrível catástrofe (para
nós, uma quase catástrofe) de doze anos atrás.
A dor daqueles que perderam tudo e tiveram que recomeçar a vida
numa outra cidade. O desespero de famílias inteiras que viram
a elevação das águas num ritmo alucinante, naquele
fatídico maio de 1998. Infelizmente, ainda houve perdas humanas,
aqueles que não tiveram tempo de providenciar embarcações
seguras para seu transporte por falta de posses, ou que ficaram aguardando
ajuda prometida por políticos inescrupulosos, mas que nunca foram
cumpridas, sem contar a perda do patrimônio turístico e
natural que era aquela famosa estância.
Tanto
ela, quanto a minúscula Caiuá, agora jaziam nas profundezas
do gigantesco lago, formado pelas águas do que um dia fora um
caudaloso rio mas que agora se transformara num verdadeiro mar, com
seus quase 180 quilômetros de extensão, por mais de 40
quilômetros de largura, sendo que 30 desses dentro do território
Paulista.
Apesar da grande destruição ecológica e do desaparecimento
quase total de nossa antiga economia de base, a pecuária, a paisagem
criada pelo cataclismo, agora, era belíssima, atraindo, curiosos,
turistas, jornalistas, estudantes e até cientistas de várias
partes do Brasil e do mundo.
Diversos
escritórios internacionais de pesquisa tecnológica haviam
aberto suas filiais em nossa cidade para estudar o fato. Universidades,
das maiores do mundo já tinham instalado suas campi. A cidade
já havia se tornado inclusive um pólo de atração
cultural, fato nunca antes imaginado em épocas passadas.
Todos se perguntavam, até nossos dias, como aquilo houvera acontecido.
Teria sido um fato único na história mundial? Seriam verdadeiros
rumores que revelavam estórias mirabolantes de sabotagem, de
erro provocado? Há quem diga até, que agentes secretos
Norte-Americanos infiltraram-se no corpo técnico da antiga CESP,
responsável pela monstruosa barragem, provocando o enorme equívoco
que até hoje não fora desvendado, tudo isso com interesses
comerciais.
Especulações sobre o fato eternizariam-se nas conversas
dos inúmeros passantes e freqüentadores da deslumbrante
e quilométrica praia do complexo Venceslauville/Eldorado, com
seus imponentes edifícios de apartamentos, hotéis suntuosos
e nababescos condomínios residenciais, que, absolutamente, mudavam
por completo o perfil da obsoleta e provinciana Presidente Venceslau
de 1998.
A
tradicional Feira Agropecuária do Município foi praticamente
extinta, restando apenas alguns resquícios do passado, como alguns
leilões de gado que eram restritos a poucos criadores deste tipo
de animal e que agora perdia de longe para outra atividade econômica,
muito mais lucrativa e divertida: o ecoturismo.
A
pesca esportiva preponderava, Presidente Venceslau tornara-se hoje uma
cidade voltada aos esportes náuticos e em praticamente todos
tínhamos um campeão a nível nacional: jet-ski,
laser, iatismo e outros.
Fora
construído até mesmo uma raia olímpica para treinamento
de remo e uma pista aquática para corrida de lanchas.
Era impressionante a revolução causada pela invasão
das águas em nossa pequena cidade; os mais velhos não
se cansavam de admirar a beleza do local e a vibração
da nossa juventude em seus acampamentos de férias, na prática
de seus esportes, nos seus shows ao vivo realizados sob a luz da lua,
na areia da praia, com público nunca inferior a 20 mil pessoas.
Nosso orgulho permitia-nos achar que já tínhamos a nossa
Copacabana, a nossa Barra da Tijuca. Casais se conheciam e se apaixonavam
ao som inebriante de nossas águas azuis que se confundiam no
horizonte com o azul do céu. Aqui se casavam, criavam seus filhos
e nunca mais saíam daqui, pois faziam parte de nossa maravilhosa
natureza.
Compositores já cantavam as maravilhas desta cidade e as divulgavam
em todos os cantos do País, atraindo mais e mais pessoas, que
se entusiasmavam por nossa terra mesmo sem antes conhecê-la. Os
políticos, como de costume, se aproveitando do inchaço
da população, faziam mais e mais promessas eleitoreiras,
na busca de votos. Alguns até mesmo já queriam que a capital
do Estado fosse transferida para cá, em função
da efervescência cultural e da posição estratégica
da cidade.
Apesar
de todo o desenvolvimento, de todo arrojo, as pessoas que aqui viviam
antes da transformação, os chamados “Venceslauenses
da gema” ainda se angustiavam: o que aconteceria nos dias que
avançavam para o futuro? Será que perderíamos nossa
identidade e a tradição de nossas famílias com
a desenfreada invasão de novos moradores? Os nossos costumes
seriam aniquilados pela horda de exploradores que aqui aportavam? E
aquela saudável rivalidade que nutríamos ante a vizinha
cidade, agora inundada pelo colossal lago? Nossas características
caipiras, nossa hospitalidade e simplicidade mudariam de uma vez por
todas? Perderíamos o nosso sossego de cidade interiorana?
Teríamos que disputar a hegemonia da região com a então
superdesenvolvida Presidente Prudente? Talvez fosse cedo demais.
Quem sabe teríamos encontrado nosso destino de cidade turística
acidental e, assim, resolvido nossos problemas mais cruciais, acreditavam
alguns; mas a verdade é que restavam duas cidades sepultadas
nas entranhas do que agora chamávamos de “águas
da redenção”.
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SEVERINO DA MARIA
Enviado por Francini Virag
“O
nome dele era Severino,
Severino
da Maria, lá do bairro da grota funda.
Severino
da Bahia, Severino da Maria.
Era conhecido
e estimado.
Veio da Bahia ainda criança, ia pra São Paulo como tantos
outros.
Mas a família foi morrendo aos poucos pelo caminho e acabou ficando
em Minas Gerais.
Pai de
Eldino, Evilásio, Elduano, Elimere, Eustáquio, Emiliano,
Elenaldo, Eufrásio, Enivaldino e por fim de Eulália Maria.
Pai de
dez.
Dez vidas,
dez histórias, dez alegrias.
Dizia que
por ele seriam vinte, mas dona Maria quase morreu quando Eulália
nasceu e teve que parar por aí.
Contava
“causos” feito um bom mineiro.
Dizia que
não sabia mais quantos anos tinha, e se insistíamos ele
dizia: Sou menino novo e ria alto.
Sua gargalhada
era boa, era alta, aberta, sua gargalhada era gostosa de ouvir.
Contava
que sua infância fora feliz.
Muito pobre
morava com a família no sítio de um bom homem que em troca
do trabalho na roça dava casa e comida. Mas não reclamavam
da sorte.
Mas nos
fins de semana brincava em rios, brincava no meio das plantações,
montava touro bravo e caia no chão.
Ir pra
escola era coisa de rico.
Com seis
anos já enfrentava a lida de sol a sol.
A mãe doente, o pai cansado e quatro irmãos eram oito
ao todo.
Mas quatro
morreram na viagem.
Morreram
de febre, doença da mata, morreram de fome e sabe lá do
que mais.
A mãe nunca mais foi a mesma.
Contava
Severino que nunca teve ambição de sair dali.
Mas com
treze anos sua mãe morreu e seu Pai desgostoso largou tudo e
caiu no mundo. Nunca mais o viu.
Severino
tinha treze, e seus irmãos dez, oito e seis.
Triste
sina.
Triste
sina que nada regateia o Severino de Maria.
Deus quis
assim.
Já
mais velho, conheceu Maria e se apaixonou.
E pra contar
esta história Severino ainda se emociona.
Mas pra
falar disso fala de João, de Mané, de José... Dos
amigos e das festas do lugarejo de São Sião.
Festa pra
mais de dia.
Quando
terminava a colheita o patrão deixava a gente se divertir.
Severino
conheceu Maria, namorou, noivou e casou. Tudo nos “conforme”.
Os filhos
vieram.
A luta
continuou.
Severino
da Maria.
Severino
da Bahia.
Severino
lutador.
Não
tinha calor, frio ou dor que o impediam de trabalhar.
Tinha filhos,
a Maria, a vida pra cuidar.
Não
tinha estudo, mas tinha muito.
Tinha coragem
pra enfrentar tudo.
Não
tinha medo, não tinha tempo pra sonhar o Severino.
Mas tinha
amor no coração.
Criou dez
filhos.
Dez vidas,
dez histórias, dez alegrias.
Severino
não queria ficar rico.
Não
tinha ambição.
Severino
não tinha maldade.
Não
tinha inimigos.
Severino
da Maria.
Severino
da Bahia.
Mineiro,
trabalhador.
Severino
da coragem.
Severino
menino.
Sua vida
é uma lição
“Severino
sabe não...”.
Mas é
você quem sabe o que é o verdadeiro amor,
Que sabe
que o que importa é ser simples e entender a simplicidades nas
coisas.
Que precisamos
tão pouco para ser felizes.
Ah! Severino...
Severino
da Maria...”