Em setembro de 2006, escrevi neste espaço um artigo que solicitava,
basicamente, em nome de toda a população
ordeira de Venceslau, a completa revitalização da Praça
“Miguel Brisola de Oliveira”. Em 2008, a “Praça
do Bosque” completou 40 anos! Infelizmente, até de maneira
envergonhada, constatei que pouquíssimas melhorias, ou quase
nada foi feito naquele lugar nestes três anos. Por lá,
tudo não passa de uma “maquiagem”, sempre resumida
numa capinação de grama, limpeza e recolhimento das
folhas das árvores. É preciso mais! O cidadão
consciente sabe que o gestor público tem como base da administração
o tripé: saúde, educação e segurança.
Contudo, o povo não vive só disso, embora seja essencial.
O que representa o bosque para a cidade coloca a questão no
rol das prioridades, ainda que alguns discordem. Ou vamos esperar
que tudo se acabe? A decadência do lugar é visível.
Louvo a iniciativa da Câmara Municipal em, democraticamente,
solicitar a revitalização de todas as praças
do município. Todavia, o bosque é diferente! É
um local elegante e tradicional. Deve ter um cuidado especial! Raciocínio
compartilhado por milhares de concidadãos. Exemplo: há
alguns dias, conversei com o Sr. Mário Kogima. Fiquei impressionado
com as antigas estórias referentes ao bosque. Outro que também
me deixou emocionado: o Sr. Antonio Augusto Alves, o “Toninho
da Esmeralda”. Este último estava com uma trena em
mãos e media o tronco das árvores daquela praça.
Esclareceu os nomes e apontou algumas delas: ipê, farinha-seca
ou jacaré-do-mato, sibipiruna, flamboaiã, paineira
e chapéu-de-sol. Toninho afirmou que um dos ipês, que
media 1,90 m de circunferência de caule, havia sido plantado
há 40 anos. Por essa medida, “dava para se calcular
a idade aproximada de algumas outras árvores.” Bem...
O raciocínio tem todo o sentido!
“A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o
mesmo jardim. Tudo é igual, mas estou triste.” Assim
como o cantor Ronnie Von, também diria que nada mudou. Permitam-me
relatar fielmente o que eu via e ainda vejo por lá após
estes três anos: “Encravado entre as ruas Duque de Caxias,
Almirante Barroso, Floriano Peixoto e General Osório, a Praça
Miguel Brisola de Oliveira requer completa reestruturação.
A grama e algumas árvores merecem ser replantadas - muitas
raízes “estufaram” as calçadas. O calçamento
e as guias laterais, juntamente com as escadas, precisam ser refeitos;
alguns bancos estão quebrados; a iluminação
requer ajustes e a placa com a inscrição do nome do
logradouro está inclinada”. A Torre de Pisa, na Itália,
tem 56 metros de altura e inclinação que chega a cinco
graus. Aí é difícil consertar, mas, o monumento
da placa do bosque deve ter um metro e meio de altura. Acredito
que possa ser reformado e corrigida a inclinação sem
muitas complicações. Ou estou errado? Bem... O administrador
público deveria restaurar pelo menos isso agora, “endireitar
a obra”, sinalizando que fará algo com mais esmero
em todo o local mais adiante. Tudo é questão de planejamento...
Outra sugestão: a Biblioteca Pública Municipal agora
é bem próxima ao bosque. Que tal separar alguns livros,
enciclopédias e revistas, - podem ser até antigos!
– levar até lá e convidar os alunos das escolas
para uma “Leitura na Praça”. Quem sabe uma ou
duas semanas por ano, nas férias escolares, não seria
uma boa opção para incentivar os estudantes a lerem?
Veja que isso pode ser a semente de um grande projeto; de crescimento
intelectual para todos do município. Quem sabe alguns livros
possam ser lançados ali; quiçá alguns escritores
e professores possam até fazer algumas palestras neste sentido.
Espaço calçado para isso já tem! Basta uma
cobertura provisória e tudo se transforma. Com certeza, não
há necessidade de grandes verbas para isso. Mais do que dinheiro,
é preciso vontade para começar. Que tal? Quando a
intenção é nobre todos ajudam!
Prezados leitores, eventos simples às vezes transformam toda
a comunidade. Se visualizarmos tudo isso, tudo se concretizará.
Lembram-se da FAIVE? Começou modesta e “foi ficando”.
Para intentos assim, a motivação vem em primeiro lugar.
Antes da verba! Por isso, tenho essa preocupação com
a “Praça do Bosque”. Enxergo tantas coisas nela
que acho desperdício vê-la como está! Um espaço
que poderia ser muito, mas, muito bem aproveitado. É só
questão de querer...
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