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  Coluna Opinião

Paulo Francis Jr.*
O momento "de saia justa"

Fatos inusitados costumam ocorrer em qualquer lugar. Alguns até são alegres! Outros, pela surpresa demasiada, pela inconveniência, pela “saia curta”, acabam gerando embaraços. Recentemente, estava na rodoviária de Venceslau, pronto para embarcar para São Paulo e uma jovem que eu nunca tinha visto antes carregando nas mãos um telefone celular, pediu-me para que o levasse até a capital, já que o pai dela havia esquecido no dia anterior e precisava do aparelho. O que você faria? Acreditaria? Levaria o telefone? Enquanto você pensa na resposta, vou discorrer sobre alguns acontecimentos diferentes, do mesmo padrão do relatado. Coisas que causam transtornos inesperados!

Minha residência se localiza num bairro popular, de pessoas simples, que por vezes, protagonizam episódios assim. Na semana passada contratei um rapaz para capinar e limpar o quintal. O mesmo se prontificou a começar o serviço no dia posterior, dizendo que “começaria as dez para a sete da manhã!”. Senti que o horário foi o primeiro “inconveniente” – ninguém combina um serviço em “hora quebrada”, ou são seis, sete ou oito horas para se iniciar. Pois bem! Passou um dia. E outro. No terceiro, por volta das treze horas, esse cidadão me apareceu à porta dizendo que “faria o trabalho na manhã seguinte”. No entanto, me pediu o pagamento adiantado! Veja que situação embaraçosa! É evidente que não fiz o pagamento e ainda contratei outro, que já me apareceu com rastelo, lima e enxada na mão. Matutei comigo que a inconveniência também expõe a diferença entre o vagabundo e o trabalhador. O que você acha?

Para fundamentar ainda mais o que já expus, devo acrescentar que pessoas inoportunas estão em qualquer lugar, até no nosso local de trabalho. Gente sem o mínimo de desconfiômetro! É aquela secretária que quer saber de tudo, tintim por tintim - nos mínimos detalhes! -, sobre a vida do chefe ou do patrão e que não sabe o limite entre o público e o particular! É aquele outro que só vive causando intrigas; que faz comentários rudes, desabonadores, inadequados, sem respeitar o sentimento alheio. Dizem - e fazem - coisas erradas, nas horas erradas, de forma mal-educada! É aquele sujeito que freqüenta diariamente a redação de jornais impressos querendo ler as notícias antes de ser publicadas. Atrapalha, aborrece - enche o saco! - do diagramador. Outro: com certeza você conhece alguém que, em pleno refeitório ou restaurante resolve assoar o nariz. Aquele barulho looooongo! Irritante. Nojento. Que sempre antecipa uma cusparada. Só de lembrar dá arrepios! Quantas vezes não vemos este tipo de coisa? Isso tem a ver com a falta de educação.

Há, também no trabalho, outros exemplos de inconvenientes. Tem aquele que entra sem bater em qualquer sala; tem o que mexe nos papéis das mesas que não lhe pertence; enfim, até o que quer saber a senha que fulano usa no computador pessoal. Gente sem “simancol”. Existem também os que vão para as reuniões para tumultuar! Querem sempre resolver alguma coisa que não está na pauta. São pessoas que não gostam de ouvir e, normalmente, interrompem a palavra de um colega antes que este complemente o raciocínio. Você conhece alguém assim?

Os “retratos” da inconveniência: um bêbado falante entrando na igreja e perturbando a celebração. Mais: um goleiro que é pego no chamado “contrapé”, tomando um frangaço... Outro dia, um amigo confessou que comprou um aspirador de pó e, no dia seguinte, um parente veio emprestar o aparelho. Não é demais? O sujeito nem usou o produto e já tem que ceder a alguém. E se o outro não tivesse comprado como resolveria a situação? Esse fato assemelha-se a música debochada do cantor e humorista Tiririca que diz: “um amigo é prá acudir outro!” Rsrsrs...

O absurdo! Aqui no bairro, um cidadão pediu a outro de quem não era nem vizinho próximo, o telefone emprestado. Adivinha prá quê? O sujeito queria “pedir um frango assado”. Atentem para essa: havia um orelhão a 50 m do lugar em que este episódio se deu. Rsrsrs... Agora, o cúmulo da situação constrangedora é essa, vivida aqui também: um vizinho distante, isto é, de outra rua, vai à casa de outro solicitando levá-lo às 4 horas da manhã do dia seguinte, de automóvel, para “tirar leite de algumas vacas num sítio”. Sem pagamento! Rsrsrs... A gente ri pra não chorar. O jeito é assoprar esta pena para outro... Incrível! Como tem gente cara-de-pau!

Nas Escrituras Sagradas, há uma passagem que bem ilustra esses fatos. A parábola do “amigo importuno” já previa estas discordâncias, com uma diferença: a circunstância estava centrada na existência de amizade anterior à situação embaraçosa. Assim, deve-se atender sempre! O correto é que um amigo de verdade não dispensa outro de mão vazia! Devemos, sim, ser zelosos pelas necessidades alheias quando podemos. “Contudo, porém, todavia” a previdência também é divina! No mundo absolutamente cheio de maldades, distante do Criador, o mais correto é se resguardar nestas ocasiões. Devemos nos ater com cuidado e vigilância ao perigo, que sempre vem sorrateiro.
Infelizmente, na situação inicial vivida na Rodoviária, me recusei a levar o telefone celular para São Paulo. Um favor que faria - e faço! - somente se soubesse quem era o dono. E você, o que faria?

 
* Paulo Francis Jr. é Venceslauense e escreve todas as semanas nesta coluna. Para entrar em contato com o autor, mande emails para paulofrancis.jr@itelefonica.com.br
   
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