|
Fatos inusitados costumam ocorrer em qualquer lugar. Alguns até
são alegres! Outros, pela surpresa demasiada, pela inconveniência,
pela “saia curta”, acabam gerando embaraços.
Recentemente, estava na rodoviária de Venceslau, pronto para
embarcar para São Paulo e uma jovem que eu nunca tinha visto
antes carregando nas mãos um telefone celular, pediu-me para
que o levasse até a capital, já que o pai dela havia
esquecido no dia anterior e precisava do aparelho. O que você
faria? Acreditaria? Levaria o telefone? Enquanto você pensa
na resposta, vou discorrer sobre alguns acontecimentos diferentes,
do mesmo padrão do relatado. Coisas que causam transtornos
inesperados!
Minha residência se localiza num bairro popular, de pessoas
simples, que por vezes, protagonizam episódios assim. Na
semana passada contratei um rapaz para capinar e limpar o quintal.
O mesmo se prontificou a começar o serviço no dia
posterior, dizendo que “começaria as dez para a sete
da manhã!”. Senti que o horário foi o primeiro
“inconveniente” – ninguém combina um serviço
em “hora quebrada”, ou são seis, sete ou oito
horas para se iniciar. Pois bem! Passou um dia. E outro. No terceiro,
por volta das treze horas, esse cidadão me apareceu à
porta dizendo que “faria o trabalho na manhã seguinte”.
No entanto, me pediu o pagamento adiantado! Veja que situação
embaraçosa! É evidente que não fiz o pagamento
e ainda contratei outro, que já me apareceu com rastelo,
lima e enxada na mão. Matutei comigo que a inconveniência
também expõe a diferença entre o vagabundo
e o trabalhador. O que você acha?
Para fundamentar ainda mais o que já expus, devo acrescentar
que pessoas inoportunas estão em qualquer lugar, até
no nosso local de trabalho. Gente sem o mínimo de desconfiômetro!
É aquela secretária que quer saber de tudo, tintim
por tintim - nos mínimos detalhes! -, sobre a vida do chefe
ou do patrão e que não sabe o limite entre o público
e o particular! É aquele outro que só vive causando
intrigas; que faz comentários rudes, desabonadores, inadequados,
sem respeitar o sentimento alheio. Dizem - e fazem - coisas erradas,
nas horas erradas, de forma mal-educada! É aquele sujeito
que freqüenta diariamente a redação de jornais
impressos querendo ler as notícias antes de ser publicadas.
Atrapalha, aborrece - enche o saco! - do diagramador. Outro: com
certeza você conhece alguém que, em pleno refeitório
ou restaurante resolve assoar o nariz. Aquele barulho looooongo!
Irritante. Nojento. Que sempre antecipa uma cusparada. Só
de lembrar dá arrepios! Quantas vezes não vemos este
tipo de coisa? Isso tem a ver com a falta de educação.
Há, também no trabalho, outros exemplos de inconvenientes.
Tem aquele que entra sem bater em qualquer sala; tem o que mexe
nos papéis das mesas que não lhe pertence; enfim,
até o que quer saber a senha que fulano usa no computador
pessoal. Gente sem “simancol”. Existem também
os que vão para as reuniões para tumultuar! Querem
sempre resolver alguma coisa que não está na pauta.
São pessoas que não gostam de ouvir e, normalmente,
interrompem a palavra de um colega antes que este complemente o
raciocínio. Você conhece alguém assim?
Os “retratos” da inconveniência: um bêbado
falante entrando na igreja e perturbando a celebração.
Mais: um goleiro que é pego no chamado “contrapé”,
tomando um frangaço... Outro dia, um amigo confessou que
comprou um aspirador de pó e, no dia seguinte, um parente
veio emprestar o aparelho. Não é demais? O sujeito
nem usou o produto e já tem que ceder a alguém. E
se o outro não tivesse comprado como resolveria a situação?
Esse fato assemelha-se a música debochada do cantor e humorista
Tiririca que diz: “um amigo é prá acudir outro!”
Rsrsrs...
O absurdo! Aqui no bairro, um cidadão pediu a outro de quem
não era nem vizinho próximo, o telefone emprestado.
Adivinha prá quê? O sujeito queria “pedir um
frango assado”. Atentem para essa: havia um orelhão
a 50 m do lugar em que este episódio se deu. Rsrsrs... Agora,
o cúmulo da situação constrangedora é
essa, vivida aqui também: um vizinho distante, isto é,
de outra rua, vai à casa de outro solicitando levá-lo
às 4 horas da manhã do dia seguinte, de automóvel,
para “tirar leite de algumas vacas num sítio”.
Sem pagamento! Rsrsrs... A gente ri pra não chorar. O jeito
é assoprar esta pena para outro... Incrível! Como
tem gente cara-de-pau!
Nas Escrituras Sagradas, há uma passagem que bem ilustra
esses fatos. A parábola do “amigo importuno”
já previa estas discordâncias, com uma diferença:
a circunstância estava centrada na existência de amizade
anterior à situação embaraçosa. Assim,
deve-se atender sempre! O correto é que um amigo de verdade
não dispensa outro de mão vazia! Devemos, sim, ser
zelosos pelas necessidades alheias quando podemos. “Contudo,
porém, todavia” a previdência também é
divina! No mundo absolutamente cheio de maldades, distante do Criador,
o mais correto é se resguardar nestas ocasiões. Devemos
nos ater com cuidado e vigilância ao perigo, que sempre vem
sorrateiro.
Infelizmente, na situação inicial vivida na Rodoviária,
me recusei a levar o telefone celular para São Paulo. Um
favor que faria - e faço! - somente se soubesse quem era
o dono. E você, o que faria?
|