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Depois do tsunami pela Ásia e da derrubada dos prédios
do WTC nos Estados Unidos, e ainda, depois que no
Brasil o Corinthians comprou Ronaldinho, não devemos nos
surpreender com, absolutamente, mais nada! Observa-se que, a cada
período, o destino sempre nos prega uma peça, tanto
nos incautos como nos mais preparados viventes. Repare: mediante
quatro decretos assinados pelo presidente brasileiro tido como “analfabeto”,
entrou em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
aqui no Brasil. Dá para acreditar numa coisa desta?! A resolução
determina alterações na ortografia das palavras em
oito países que falam o português. O alfabeto passa
a ter 26 letras, com reintrodução das letras k, w
e y. Com certeza, o corintiano Lula deve estar se “gabando”
de ter dado o pontapé inicial neste processo, já que
o ato – de certa maneira! - exerce influência em cerca
de 250 milhões de pessoas pelo mundo, caso realmente os demais
países venham a aderir às modificações.
Estive nos últimos dias, a analisar as modificações
e, sinceramente, as vejo como desnecessárias, embora tenhamos
que acatá-las mais cedo ou mais tarde. Acrescento aqui uma
análise póstuma! Se minha saudosa avó estivesse
viva, com certeza, diria: “Isso é falta do que fazê!”
Há outro pensamento que devemos acrescentar: “Qual
a real necessidade de se mexer no que está funcionando?”
A beleza da linguagem humana também está no seu regionalismo.
Termos peculiares a determinadas áreas ou países ajudam
a identificar sua origem e valorizar seus autores, sem contar que
amplia tremendamente o conhecimento das pessoas. Concorda?
Nesta espécie de globalização da Língua
Portuguesa as alterações não chegam a 0,5%
das palavras, contudo, eu troco de nome se atrás desta tão
propalada reforma alguém não vai-se enriquecer. Infelizmente,
em quase tudo que envolve as medidas do governo no país -
inclusive esta! - sempre tem alguém que leva alguma vantagem.
Vergonhosamente, até alguns membros da própria família
do “rei”. Assim, a maior conta sempre pesa no bolso
do povo. Raciocine: dá para imaginar (e esperar) que só
a troca dos livros didáticos deve engolir uma grana preta.
E o pior: ninguém diz nada. E em Brasília só
tem puxa-sacos! Anote: esta palavra vai continuar, e com hífen!
Rsrsrs...
Tenho leitores desta coluna pela internet em algumas partes do mundo.
De Portugal recebo e envio correspondências rotineiras a pelo
menos três deles e não vejo dificuldades na comunicação.
Converso “por escrito” via MSN Hotmail com Maia Alfredo,
locutor noturno da Rádio Nacional de Angola constantemente
e, também, não vejo obstáculos no entendimento.
Pelo contrário, os termos regionais que tanto eu quanto ele
expressamos durante os bate-papos, ajudam a respeitar a natureza,
a origem e a integridade da língua. Não sou especialista
nesta área, contudo, a análise que faço é
que o “português angolano” está levemente
misturado aos termos tribais ou indígenas. Isso torna a conversa
interessantíssima e agradável. É bom!
Infelizmente, até pela forma como coloco esta opinião,
fica realmente evidenciado que o brasileiro não tem muita
afinidade com as mudanças. Todavia, a divulgação
das notícias a respeito das alterações foi
exagerada. Falou-se tanto – de forma genérica! –
que os hífens e acentos seriam dispensados, o que não
é verdade. O que houve foi uma nova sistematização
de seus usos! Não cabe neste artigo dispor as regras já
que é uma opinião. Contudo, friso que as normas adotadas
agora também vêm acompanhadas por exceções.
De forma bem particular, confesso que esta é a grande dificuldade
para se aprender a linguagem, que a princípio parece simples,
não fosse esta miudeza para atrapalhar. Os detalhes nos deixam
loucos, quer ver? Antes, o hífen que não existia agora
aparece em “micro-ondas” e “anti-inflamatório”.
Não é de lascar?
E o trema? Aqui jaz... Na verdade, muitos até sabiam o que
era este sinal, porém não entendiam direito para que
servia. O desatualizado Aurélio - agora no pretérito
-, deve ser refeito com estes dizeres: “sinal diacrítico
que, sobreposto a uma vogal, não serve mais para indicar
que ela não formava ditongo com a que lhe estava próxima.
Na ortografia em vigor e unificada, o trema deixou de ser usado
sobre o u, quando este sonoro, vinha depois de g ou q e precedia
e ou i. Fica permitido o uso apenas em nomes próprios estrangeiros
como Müller, etc.” Esta é a nova definição!
As pronúncias sempre geram dúvidas. Não vou
me ater detalhadamente a isso por falta de espaço, lembrando
que esta questão tem sido alvo de fervorosos debates nas
reuniões da Academia Venceslauense de Letras. E sempre nos
acrescentam esclarecimentos! Exemplo: lá tomei conhecimento
que a tonicidade de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)
pela regra está na letra “i”. Repare: já
CEI (Comissão Especial de Inquérito) nos dá
a pronúncia “sei” ou “céi”.
Essa orientação vai para os nobres vereadores! Atenção
para outra: na pronúncia (eu disse pronúncia!), o
correto é afirmar que: “Eu estudei nas seguintes escolas
em Presidente Venceslau: no Gé e no Ié!”. Essa
última orientação é para os professores...
E alunos!
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