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  Coluna Opinião

Paulo Francis Jr.*
Não “trema” com as mudanças

Depois do tsunami pela Ásia e da derrubada dos prédios do WTC nos Estados Unidos, e ainda, depois que no Brasil o Corinthians comprou Ronaldinho, não devemos nos surpreender com, absolutamente, mais nada! Observa-se que, a cada período, o destino sempre nos prega uma peça, tanto nos incautos como nos mais preparados viventes. Repare: mediante quatro decretos assinados pelo presidente brasileiro tido como “analfabeto”, entrou em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa aqui no Brasil. Dá para acreditar numa coisa desta?! A resolução determina alterações na ortografia das palavras em oito países que falam o português. O alfabeto passa a ter 26 letras, com reintrodução das letras k, w e y. Com certeza, o corintiano Lula deve estar se “gabando” de ter dado o pontapé inicial neste processo, já que o ato – de certa maneira! - exerce influência em cerca de 250 milhões de pessoas pelo mundo, caso realmente os demais países venham a aderir às modificações.

Estive nos últimos dias, a analisar as modificações e, sinceramente, as vejo como desnecessárias, embora tenhamos que acatá-las mais cedo ou mais tarde. Acrescento aqui uma análise póstuma! Se minha saudosa avó estivesse viva, com certeza, diria: “Isso é falta do que fazê!” Há outro pensamento que devemos acrescentar: “Qual a real necessidade de se mexer no que está funcionando?” A beleza da linguagem humana também está no seu regionalismo. Termos peculiares a determinadas áreas ou países ajudam a identificar sua origem e valorizar seus autores, sem contar que amplia tremendamente o conhecimento das pessoas. Concorda?

Nesta espécie de globalização da Língua Portuguesa as alterações não chegam a 0,5% das palavras, contudo, eu troco de nome se atrás desta tão propalada reforma alguém não vai-se enriquecer. Infelizmente, em quase tudo que envolve as medidas do governo no país - inclusive esta! - sempre tem alguém que leva alguma vantagem. Vergonhosamente, até alguns membros da própria família do “rei”. Assim, a maior conta sempre pesa no bolso do povo. Raciocine: dá para imaginar (e esperar) que só a troca dos livros didáticos deve engolir uma grana preta. E o pior: ninguém diz nada. E em Brasília só tem puxa-sacos! Anote: esta palavra vai continuar, e com hífen! Rsrsrs...

Tenho leitores desta coluna pela internet em algumas partes do mundo. De Portugal recebo e envio correspondências rotineiras a pelo menos três deles e não vejo dificuldades na comunicação. Converso “por escrito” via MSN Hotmail com Maia Alfredo, locutor noturno da Rádio Nacional de Angola constantemente e, também, não vejo obstáculos no entendimento. Pelo contrário, os termos regionais que tanto eu quanto ele expressamos durante os bate-papos, ajudam a respeitar a natureza, a origem e a integridade da língua. Não sou especialista nesta área, contudo, a análise que faço é que o “português angolano” está levemente misturado aos termos tribais ou indígenas. Isso torna a conversa interessantíssima e agradável. É bom!

Infelizmente, até pela forma como coloco esta opinião, fica realmente evidenciado que o brasileiro não tem muita afinidade com as mudanças. Todavia, a divulgação das notícias a respeito das alterações foi exagerada. Falou-se tanto – de forma genérica! – que os hífens e acentos seriam dispensados, o que não é verdade. O que houve foi uma nova sistematização de seus usos! Não cabe neste artigo dispor as regras já que é uma opinião. Contudo, friso que as normas adotadas agora também vêm acompanhadas por exceções. De forma bem particular, confesso que esta é a grande dificuldade para se aprender a linguagem, que a princípio parece simples, não fosse esta miudeza para atrapalhar. Os detalhes nos deixam loucos, quer ver? Antes, o hífen que não existia agora aparece em “micro-ondas” e “anti-inflamatório”. Não é de lascar?

E o trema? Aqui jaz... Na verdade, muitos até sabiam o que era este sinal, porém não entendiam direito para que servia. O desatualizado Aurélio - agora no pretérito -, deve ser refeito com estes dizeres: “sinal diacrítico que, sobreposto a uma vogal, não serve mais para indicar que ela não formava ditongo com a que lhe estava próxima. Na ortografia em vigor e unificada, o trema deixou de ser usado sobre o u, quando este sonoro, vinha depois de g ou q e precedia e ou i. Fica permitido o uso apenas em nomes próprios estrangeiros como Müller, etc.” Esta é a nova definição!

As pronúncias sempre geram dúvidas. Não vou me ater detalhadamente a isso por falta de espaço, lembrando que esta questão tem sido alvo de fervorosos debates nas reuniões da Academia Venceslauense de Letras. E sempre nos acrescentam esclarecimentos! Exemplo: lá tomei conhecimento que a tonicidade de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) pela regra está na letra “i”. Repare: já CEI (Comissão Especial de Inquérito) nos dá a pronúncia “sei” ou “céi”. Essa orientação vai para os nobres vereadores! Atenção para outra: na pronúncia (eu disse pronúncia!), o correto é afirmar que: “Eu estudei nas seguintes escolas em Presidente Venceslau: no Gé e no Ié!”. Essa última orientação é para os professores... E alunos!

* Paulo Francis Jr. é Venceslauense e escreve todas as semanas nesta coluna. Para entrar em contato com o autor, mande emails para paulofrancis.jr@itelefonica.com.br
   
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