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  Coluna Opinião

Paulo Francis Jr.*
A rodovia com pedágio a R$ 1,10

Quem está no poder hoje no país definitivamente não gosta do povo. Quer apenas o que resta no bolso da população! Se perguntarem ao governo “se ele gosta de dinheiro”, com certeza, responderá: adoro! E de imposto e pedágio? Vichi! Rsrsrs... Desde que me conheço por gente, nunca vi tamanha falta de respeito com o cidadão como agora. Ultimamente a população tem ficado depressiva e apreensiva. Como diriam os antigos: “num mato sem cachorro!”. Por mais que se tente acertar nas eleições escolhendo os melhores postulantes, sempre aparecem - não sei de onde – alguns políticos pentelhos que não valem absolutamente nada! Se bem que, na verdade, se olharmos direitinho, tanto o pedágio quanto suas tarifas, já se tornaram casos de polícia. Num momento como este, de penúria e crise profunda no mundo e no Brasil – com demissões na indústria automobilística! -, falar em reajuste de qualquer imposto ou tarifa é bater de pau em mãe ou pai. Não se trata mais de indignação. Como muitos outros cidadãos, o correto é afirmar que estamos todos “enojados” com o que vemos.

Muito se fala por aí do leão do Imposto de Renda. Hoje ele é quase um “bichano” se olharmos a gigantesca maneira como o governo impõe outras taxas ao povo, deixando-o na condição de escravo. Na essência, com seus impostos e tarifas, o Estado se tornou um cruel devorador de homens. E ainda vão me dizer que as tarifas nada têm a ver com o governo. Que é uma concessão! Quem autorizou tudo que está aí? Quem deu o bem público para que estranhos tomassem conta? Na verdade, estes estranhos foram contratados como “salvadores da pátria”, durante o barulho que se formou para a privatização dos bens públicos em favor do progresso. Não dele, o povo. Tudo bem?! Acontece que agora estes grupos estão agindo da mesma maneira, com a mesma filosofia: querem sempre reajustes, aumentos, porém, em contrapartida para o benefício da população o que se vê é muito pouco. Ou estou errado? Aqui o imposto é só de ida...

Pelo volume de dinheiro arrecadado, a contrapartida em benefícios denota ser ínfima. Desculpe-me a colocação, mas tem uns bobos da corte por aí que argumentam: vai ao Mato Grosso para ver como as estradas estão! Olha: cada contribuinte deste país trabalha pelo menos cinco meses pagando impostos anualmente para o governo. Entendo que é mais que suficiente! O que é primordial é conter gastos desnecessários, principalmente com o aumento de salário de políticos que vivem do ócio e não saem da cacunda do povo. Ainda há outro argumento de peso: nos Estados do Paraná e Santa Catarina, as tarifas são bem mais baixas que as da nossa região e as motocicletas não pagam em algumas praças de cobrança. Exemplo: Em Correia Pinto, na BR-116, km 235, a tarifa é de R$ 2,70 o carro de passeio. Entre Curitiba e Mandirituba o preço é o mesmo.

Permitam-me ainda desviar um pouco do assunto para uma questão peculiar. Tem outro imposto aí que está comendo mais gente que os tigres indianos do início do século passado. O tal do IPVA! Embora sua receita seja dividida com os municípios para “utilização em serviços básicos para a população”, sua aplicação incorre num tremendo contra-senso, entre tantas constatações, porque as ruas das cidades deveriam ser bem melhor conservadas. Isso também é básico ou não? Agora, preste atenção neste exemplo: quem comprou um veículo semi-novo há um ou dois anos com financiamento em 36 ou 48 meses, hoje paga por um objeto que, em alguns casos, não vale a metade do seu preço inicial. Embora muitos devam avaliar bem suas ações, é correto também afirmar, por outro lado, que deveria existir um coeficiente de desvalorização para proteger o consumidor quando a queda nos preços do carro ultrapassar determinada percentagem. Não seria mais justo? Só para reforçar este pensamento: tem muita gente por aí pagando R$ 18 mil por um veículo que hoje não vale R$ 10 mil.

Voltando aos pedágios, aqui na região as tarifas são espantosamente absurdas! Em um único sentido a R$ 4,6 já é um horror! Mesmo com a sua diminuição, o anúncio de cobrança nas duas direções, sinceramente, virou caso de polícia. Quer ver: se você mora em Presidente Epitácio e for até Presidente Prudente pode ter mais gastos com as tarifas de pedágio do que com combustível, cujos impostos ultrapassam mais de 50% em cada litro. Não é de lascar! Não existem argumentos sinceros para dizer que essa cobrança seja justa. Quem pagar e resolver entrar na Justiça, e convencer algum juiz de que isso não é justo, pode até ser indenizado. Salvo outro juízo, ninguém pode pagar duas vezes pela mesma coisa, não mesmo? Além do mais, no trecho entre estes dois pontos, a qualidade da estrada também não é a mesma. De Santo Anastácio para cá, a coisa muda!

Há outra discrepância também que, mesmo sob explicações, é difícil de entender. Dentro do Estado de São Paulo os preços variam muito. Exageros e “promoções”. Na nova praça de pedágio da Rodovia Fernão Dias a tarifa é R$ 1,10 para carros e R$ 2,20 para caminhões leves e ônibus. As motos pagam R$ 0,55. A taxa máxima para caminhão reboque é R$ 6,60. Embora a cobrança seja nos dois sentidos, a diferença com a nossa região é incomparável. É preciso repensar o que será feito na Raposo Tavares.
Para refletir: não dá a impressão de que a Rodovia Fernão Dias é uma estrada de terra?

* Paulo Francis Jr. é Venceslauense e escreve todas as semanas nesta coluna. Para entrar em contato com o autor, mande emails para paulofrancis.jr@itelefonica.com.br
   
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