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O Criador fez o mundo em seis dias e, depois, descansou. Bendita
hora em que se fatiou o tempo em anos, meses e
dias! Embora vivamos na correria, tudo tem o seu momento. Podemos,
de certa maneira, nos programar com o calendário. Lamentavelmente,
entretanto, muitos têm desprezado uma estratégica parada.
Pra quem está há anos sem um bom período de
descanso, pode até significar a opção entre
a vida e a morte. Você duvida disso? Não falo aqui
de ociosidade sem razão! Não se trata de um, dois
ou mais dias de um longo feriado de final de semana sem fazer nada.
Apenas os dias em vermelho na “folhinha” não
são suficientes! Refiro-me a uma pausa para restauração
de forças de, no mínimo, quinze dias sem fazer absolutamente
nada pertinente a vida profissional. Um período dedicado
apenas à família, parte dela ou assuntos correlatos!
Essa distração, que para muitos se reveste em perda
de dinheiro ou cessação de lucros, é de fundamental
importância nos dias de hoje.
Infelizmente, no mundo tem-se optado – e necessitado! - apenas
e tão somente de trabalho. Por conta disso, quantos não
têm sido surpreendidos por “férias hospitalares”?
Ficam internados, refletem, mas não aceitam esta verdade.
Os mais prejudicados até pulam esta etapa e acabam morrendo
no meio da jornada. São acometidos por doenças oriundas
principalmente do excesso de atividades, ansiedade e estresse; pessoas
com dez, quinze, vinte anos ou mais sem nunca ter tirado um merecido
descanso. Embora haja quem argumente que todos nós seremos
“chamados”, o correto é que não podemos
ser dirigidos apenas pelo materialismo. Se adquirir bens é
a única meta é bom rever este conceito...
Comprar
alguma coisa só nos dá felicidade passageira. Ganhar
dinheiro, embora seja primordial nestes novos tempos, não
nos dá a plena segurança. Podemos perder tudo de um
minuto para outro! Veja o que tem acontecido pelo mundo. Gente que
tinha empresa e morava em “big” apartamento de luxo,
agora debaixo de uma barraca de lona. Uma lição que
nem todos levam em conta...
Posso complementar o pensamento lembrando também de gente
que tem trabalhado muito. Alguns até estão bem! Contudo,
também vi outros com diversas férias vencidas e, em
casos de funcionários públicos até do alto
escalão com duas ou três licenças-prêmios
para gozar, deixando o nosso convívio de maneira inusitada.
Não sabemos o que está reservado a cada um de nós
daqui a um segundo! Entretanto, Deus acredita no nosso potencial
e sabe que temos inteligência para perceber quanto é
imprescindível um momento de descanso, de férias.
Nestes dias recentes, tenho observado um número considerável
de pessoas, algumas com quarenta anos de idade ou menos, sendo levadas
prematuramente deste mundo. Tinham grandes projetos pessoais ainda
por cumprir! Casas e lares para serem construídos... Até
gente de posse negligenciando um momento especial com a família
por causa do excessivo trabalho e, tristemente também, pela
ganância! Ainda que venham as crises, nada supera uma convivência
e um tempo com esposo, esposa ou filhos. Em relação
a estes últimos, vejo os patriarcas se esforçando
(alguns literalmente se matando!) para que os herdeiros tenham o
melhor.
O
problema é que isso nem sempre vem acompanhado pela ajuda
daqueles que receberão o espólio. Resultado: o que
o sujeito juntou lutando durante anos com tanto sacrifício
e sem férias é torrado da noite para o dia. É
jogado no ralo! A pergunta é: de que adianta tanta privação?
Ninguém aqui está falando em esbanjamento. Atenho-me
a afirmar que é preciso viver a vida com pouco mais de qualidade
e isso quer dizer: dar uma pausa para um momento de férias.
Quem não percebe esta necessidade pode protagonizar infelizes
comentários à beira da cova. Quem sabe tanta dedicação
ao trabalho não sirva apenas para comprar um bonito esquife?
Hummm...
Quando funcionários, saímos para um descanso e temos
medo de não mais encontrar nossos postos de trabalho. Na
realidade, diante das dificuldades, as férias se tornaram
prenúncio de dispensa. Já existem muitos trabalhadores
afastados aguardando em casa que tudo se recupere. Na essência,
jamais voltarão aos seus empregos! Esse também é
o lado negro da situação.
Agora,
é inadmissível que o gestor dos negócios, o
patrão, do dono da indústria ou empresa, aquele que
manda, não dê uma parada para se recuperar das preocupações
pesadas do dia-a-dia. Não é possível que, dentro
de anos de trabalho sem pausa, não tenha observado e encontrado
alguém - um substituto de confiança ou em último
caso um parente, filho ou neto -, para suprir sua ausência.
Alguém que gerencie tudo com a mesma capacidade! Se esta
condição não for uma realidade, a questão
se torna ainda mais delicada cabendo até a pergunta: será
que vale a pena tanto trabalho?
Tirar Férias também significa dedicar-se a si próprio.
Desculpem-me a franqueza: deixa de ser besta! Dê um jeito!
Coloque alguém para tomar conta de tudo e vá curtir
com os seus. Ligue para uma agência de viagens e embarque
o quanto antes, ou pelo menos se afaste do tumulto e sinta a natureza
de perto, contemplando a obra divina, a parte que a humanidade ainda
não diluiu...
Talvez não apareça outra oportunidade. Boas férias!
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