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Quem
fala demais vai aos poucos perdendo o sentido das idéias
alinhadas na conversa, ocupando todo o seu tempo e o dos outros,
achando que está agradando, sem se colocar no lugar de quem
ouve. Falar demais é um hábito que facilmente passa
a vício, e deste à enfermidade que, no começo,
requer branda disciplina. É como um filete de águas
que ainda não se tornou cachoeira, porém, se a providência
não acudir a tempo, desgaste de energias e a perda da capacidade
tornarão a pessoa indesejada no meio em que vive e será
muito mais difícil a educação da voz.
filete de água passará a cachoeira de proporções
indescritíveis, requerendo esforços sobrenaturais
para o domínio conveniente.
Façamos como os engenheiros hidráulicos que distribuem
as águas em uma metrópole através de canos,
com a disciplina das torneiras, que somente atuam conforme a necessidade.
A fala é manancial que deve ser cuidado, no sentido de beneficiar
a todos que nos ouvem. Coloquemos a torneira na boca, para que não
ocorra desperdício. A palavra é, por excelência,
um dom celestial. A energia que consumimos no palavreado é
cota sagrada que pertence ao suprimento universal e que, depois
de usada como veículo de comunicação, volta
ao manancial infinito com a mensagem que nela imprimimos, pelas
mãos dos sentimentos e pela força do verbo. Paulo
de Tarso instruiu os filipenses: “E a maioria dos irmãos,
estimulados no Senhor por minhas palavras, ousaram falar com mais
desassombro a palavra de Deus”.
Paulo falava com equilíbrio, no momento certo, aproveitando
o dom que recebeu de Deus sob as bênçãos de
Jesus Cristo. Quem fala com amor no coração, estimula
aos que o ouvem a também conversar com desassombro sobre
coisas elevadas, silenciando sem desprezo aos que lhe estimulam
conversações de nível inferior, orando por
eles em segredo, para que não se sintam humilhados, como
pessoas que ainda não acertaram o caminho da luz.
O animal não vai responder o cumprimento endereçado
a ele; por isso se diz que “quem fala demais dá bom
dia a cavalo” Assim é que o ser humano não vai
responder a fala provinda da imundície da razão mal
educada; fica calado, esperando que Deus e o tempo possam despertar
aquele que fala mal e que tem possibilidades de algum dia melhorar,
usando o tesouro da palavra como fonte divina, para a divina elevação
de outros dons que dormitam.
Consideremos, portanto, a eloqüência e a oportunidade
das palavras de Jesus. Não falemos em demasia, não
fiquemos calados como múmias, conversemos com sabedoria na
dose adequada, como se faz com o sal nos alimentos de bom sabor.
Quem conversa como sábio, sabe que nada sabe.
Fonte:
Miramez |